Tuesday, December 28, 2010

Y cuando luchas contra la corriente y la vida dice No? Eres débil* o un No-egoísta? Eres débil o sabio, sabedor del conocimiento vida es más grande que tú?
O quão inevitável é a vida?

*débil: fraco, weak!

Wednesday, November 17, 2010

Silenciada pelo vazio, a Busca vem a minha porta e bate como quem pede abrigo;
acomoda-se e alimenta-se;
encontra a Pergunta e fazem uma grande festa. A festa, a qual resolvem nomear de: festa da busca pela felicidade.
Foi só falar em felicidade que a Felicidade entra, como se o terreno fosse só seu;
sem se dar conta que o terreno tá dominado, e quem é o galo é a Perda.
A Razão berra pela companhia do Equilíbro, e o casal entra: quem abra alas pra eles é a Insegurança
- Maldita insegura que acha que controla a entrada do meu interior!
- Maldita não ignorância, que amplia o sentido da vida!
É quando a Inércia toca a campainha, e a festa está tão alta que se encarrega de não ouví-la.

Victoriana Leonora, São Paulo, 17/10/2010

Lapso narcísico;

A sua imobilidade diz mais do que sua face
A jaula diz mais sobre seus instintos do que eles hão de saber
- O que é instinto se não a razão sem pudores?-
As pedras dizem mais dos humanos do que o animal imagina
Não, diz o indefeso leãozinho
E os risos dão tom ao sentido medíocre que a vida tem
- o que são garras se não o limite do desejo alheio?-
Acuado, perde o sentido
façam o que quiserem, pensa
O que vocês têm são só expressões
Da natureza se encarrega a incompletude e a insuficiência.

Victoriana Leonora, São Paulo, 17/10/2010
Cuando las rosas se pierden de mí,
y los sentimientos son demasiado fuertes
La inquietación revive
Cuando las personas se mostran mediocres
y la vida me enseña la espada
La frustración rompe con violencia

Ahora cuando no hay más sentido
Y la dificultad de comprensión es grande
El camino se encuentra lejos de acá,
estaré huyendo?

Victoriana Leonora, São Paulo, 17/11/2010.

Wednesday, July 28, 2010

“Personagem no divã: a busca pelo conhecimento de si mesmo”:


Depois de muito escrever e não postar, resolvi homenagear um querido escritor, que enche minhas leituras de prazer, Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski.

Em “Memórias do subsolo”, o homem do subsolo é um assessor-colegial aposentado, que vive com a herança de um parente, em Petersburgo; o personagem ilustra a complexidade da condição humana. Fala de si, porque acredita que um homem decente o faz com o máximo prazer. Sarcástico, ele brinca com o leitor, por desprezar o homem comum, fazendo-o crer em sua simplicidade.
Na primeira parte, o anti-herói dostoievskiano trava um monólogo, as palavras bem escolhidas e pensadas de sua confidência entregam o caráter manipulado de sua auto-análise, não no sentido pejorativo, mas sim no sentido de um constante cuidado com o que diz. A primeiro momento isto parece tirar a credibilidade de sua fala, mas, refletindo melhor, este trabalho é o ponto chave da essência do personagem.
O homem do subsolo é dotado de uma sensibilidade aguçada, o que lhe propicia autoconhecimento excessivo. Mesmo assim, se vê sem saída, apesar de desprezar as pessoas e de acreditar que vê coisas que os outros não vêem, se sente preso, pois está na mesma condição dos outros, fadado ao mesmo destino medíocre. É como se o desconhecimento fosse mais fácil, como se a ignorância fosse a chave da felicidade. Boris Schnaiderman, tradutor das obras de Dostoiévski, em seus comentários sobre a obra tece a seguinte análise sobre o personagem: “Ele é tão insignificante como as outras pessoas, mas ao ter conhecimento da própria fatalidade, acaba se sentindo ainda mais atormentado.”
O ego do personagem não permite outro assunto se não ele próprio. Ele tem um impulso paradoxal; de um lado, clama por atenção e busca satisfação ao falar de si mesmo, e do outro, engasga no seu amor próprio, seu auto conhecimento excessivo lhe causa desconforto. Não desiste de mexer em suas feridas: como se estivesse num divã, toma conhecimento de si e se cobra. Esse impulso o tira da inércia e o coloca num círculo sem fim, numa tentativa desesperada de se sentir mais vivo e menos previsível.
Este livro, considerado o mais ácido do escritor, trata sobre a problemática filosófica do homem do subsolo e os questionamentos que o atormentam. A busca do conhecimento leva o personagem a duas conclusões: este saber engrandece e dá sentido ao homem, e funciona, também, como o espelho da realidade; despertando-o para a imprevisibilidade do próprio destino. O personagem mostra sua insatisfação, e mesmo assim, ri da condição alheia. Se cobra e se remoei, mas não descarta a superioridade de sua situação. Dostoiévski trata de uma maneira belíssima e única a complexidade do homem, e seu pesado e ambíguo processo de busca.