Tuesday, December 04, 2012

Goethe, Aleksandr Sokurov e Bruno Delbonnel, no minímo interessante!

"Fotografia" de Bruno Delbonnel, "Fausto". 

‎"A maneira alemã de se emocionar tem sua própria coloração, sua própria tonalidade. Eu fiquei obcecado em conseguir captar e reproduzir visualmente esse sentimento"

Me diz se não dá vontade de desligar o computador e correr pro cinema?

"Tudo é sinistro e grotesco nessa fábula narrada em tom sépia, com imagens em formato quadrado, numa referência aos primórdios do cinema que remete à cena primitiva das perversões modernas. 
Logo na primeira cena, o dr. Fausto remexe as entranhas de um cadáver à procura do segredo da alma. Em seguida, cai nas garras de um agiota no qual identificamos Mefistófeles e que o faz perambular triunfante por tavernas e termas da aldeia alemã. Ali, encontra Margarida, cuja presença angelical contrasta com o corpo repugnante do usuário de almas." CLAP CLAP! Bravo! 
(Manuel da Costa Pinto). 

Sokurov, me espera! 

Wednesday, November 28, 2012

Inspiré d'une historie vraie.

Era o grito do desespero, recorrer ao Passado (de anos) para questionar como não escrever tão pessoalmente. Ou melhor, escrever sem dar pistas de que as suas pessoas se perdiam e o linha entre elas era tênue. 

Four seasons. I choose Summer. 

Alguns clichês dá vida só não são piegas porque são da vida. E é isso que amarra qualquer mente sedenta de auto-entendimento. É ruim demais falar sobre o que não é seu, se o que já é seu não é mensurável em palavras. 

"Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean"

A suavidade de um verdadeiro relacionamento e o talento de um diretor de cinema foram além da boa performance: toques necessários para o entendimento de  se desvincular e escrever sem qualquer relação pessoal com o tema, pelo menos pra mim, é bem difícil. 

"hablamos en voz baja
para no despertar a nuestros recuerdos
las cosas que hemos hecho, 
y lo continuaremos a hacer
por miedo de romper el círculo, 
qué valientes éramos cuando éramos jóvenes, 
cuando no nos asustábamos de acabar desquiciados." 

Tuesday, November 27, 2012

Dans l'tourbillon de la vie...



[Gustav Klimt, 1913.] 

Na manhã eram dois estranhos escondendo os corpos para que a luz não devolvesse realidade ao brilho que a noite anterior fora capaz de criar. 
Dois corpos incapazes de perceber a falta de intimidade, afinal estavam embriagados pelo desejo.

Seria a falta de espaço da cama que os tinha “desatarracado”? Digo atarracar na acepção animal que flui dela, já que para um aquilo tudo era o falo e a essência do homem falando mais alto, inerentes ao macho-alfa. E para o outro o triângulo é apenas o coadjuvante de um protagonista sem nome.

Sensação estranha de não querer continuar num jogo sem performances merecedoras de ‘bis’; estranha sensação que não condiz com o gosto de uísque de seus lábios, ou fora o gosto de seus lábios que não condizia com os “nãos”.

A noite mal dormida despertara um leão, e a tarde mal entendida enjaulava-o novamente; enquanto tudo não passara de um sonho do tímido, se tornava a concretização do lento.

E o que era pra ser uma noite como outra qualquer entrara no delírio qualquer de uma curta noite. 


Monday, September 24, 2012

M.P criou com todo carinho, vendo a arrogância de sua V. como uma característica inerente dos fortes; tendo na petulância a confiança de um caráter que cresceria fora dos parâmetros conservadores carregados por uma mulher. Atribuindo a sua filha um peso da conquista do gênero naquela época; cega com a necessidade de se fazer por si, e ser a "volta por cima", ou invés de dar essa volta, deposita no seu amor materno qualquer tipo de cegueira, amor esse responsável pela falta de reprimenda, amor incondicional, que não conseguiu condicionar atos à pessoas. V., sedenta em não possuir a genética que possuía, tinha sua mãe como seu maior pecado, aliás, lhe custava muito entender que era ela quem corrompeu o homem, era ela quem oferecera a fruta de maneira graciosa.; assim, antes de qualquer depois, sem explicação ou motivo de assim o ser. V., apaixonada por nada, possuidora de base nenhuma, negava tudo e qualquer princípio advindo de sua mãe. Oh, pobre V., ruiva dos cachos de ouro, pianista de notas vazias; encontrou na voz um modo de ganhar dinheiro, e esqueceu que sua voz não fala porque nada possui. Ela tem uma boa voz, mas só; sabe aquela serpente roxa que você vê e acha linda, mas jamais levaria para casa? Ohhh, V., mais uma apunhalada, mais um não-entender atrás de não-entenderes, e eu só consigo pensar na falta de reprimenda. Seria o homem sedento de limites? Limites esses impostos pelo outro? Ou seria o homem o limite sem limitações? V. era cega demais para ver que seu limite era sua imaturidade, e demasiado capaz para mostrar para si mesma que o berro tem vez, e as pernas são preciosas. A liberdade ganha de bandeja jogava no tipo oposto, porque tudo que ela queria era muito tapa; doce ilusão, bater e punir não teria ajudado muito. M.P levanta sua saia, e mostra suas pernas; levanta sua saia num gesto de liberdade feminina, guerra dos sexos, ou o sexo das guerras? Guerra interna entre a mãe batalhadora, e a devassa por carinhos. Oh, Mild, enxuga esses olhos, e põe pra dormir esse capeta que você chama de filha. O prazer é seu e nunca lhe foi tirado, não deixe que sua Veda limite a sua Vida, como você não pôde fazer com a dela. Cruel inversões de papéis, mito da castração o quê, nunca esteve maior e mais feroz, quem põe na mesa? olha se não é a pequena V. Mal agradecida, estúpida e ruim; recolha-se and Go to Hell. A genética do qual ela nunca respeitou, pulsa no sangue quente de M.P, cadê a petulância que inspirou a outra geração? Morra, V. Bem Longe de mim. V., filha, solteira, ruiva, cantora, soprano, “exaladora” de sexo e comedora de desejos. M.P, mãe, pai, cozinheira, empresária, casada-divorciada-casada-divorciada-casada, mãe, e anuladora de qualquer amor próprio, exala amor incondicional. Oh, pobre V., quisera Deus tivesse arraigado seus problemas na genética, quisera Deus ter te dado aquele par de pernas; mas Deus te deu petulância e um queixo grande, mon amour. E isso sim, dignifica qualquer um, não M.P?