Tuesday, May 24, 2011



"Além da Vida" título original "Hereafter" é o último filme de Clint Eastwood (2010). Produzido e dirigido por ele, o drama chegou aos cinemas em 2011. O filme questiona a vida após a morte, ou na verdade tenta. Mostra a história de três pessoas, em núcleos distintos; uma jornalista francesa que sofre uma "experiência de morte", ou "experiência de quase-morte", vítima de um Tsunami ela fica entre a vida e a morte ao ser arrastada pelo mar, e se "conecta" com o além da vida, ou com o outro lado, como preferir.
A personagem, Marie Leelay (Cécile De France), teve contato com a experiência de uma sensação pacífica, onde tudo estava calado e escuro. Eastwood criou uma personagem que não lida bem com o lado vítima da situação, e segue em busca de algumas respostas. Encontra uma médica que trabalha com pacientes terminais, e todos relatam a mesma sensação e escuridão, tão similares, o mesmo clarão, o que para ela não fazia sentido entender como coincidência. O que seria então? Se essas pessoas estão num estágio de inconsciência que não podem criar imagens, o que seria? A experiência da morte, segundo a doutora.
O núcleo central é a história de um homem, George Lonegan (Matt Damon) que se conecta com pessoas mortas, um psíquico/sensitivo que entende o que passa com ele como uma "maldição" e não um "dom" como alguns creem, entre eles seu irmão. O filme mostra sua luta e resistência contra fazer disso seu emprego, ou um modo de ganhar dinheiro. O terceiro núcleo do filme é a história de Marcus, que perde seu irmão gêmeo numa acidente trágico. Acostumado a viver atrás de seu irmão; ele, o elo mais fraco da dupla, não consegue seguir em frente, buscando resposta para o que tem depois da morte.
A princípio o filme aparenta anunciar uma discussão sobre a morte, mas na verdade, o filme conta histórias de pessoas tocadas - de alguma forma - por ela. A ligação dos núcleos não é simplesmente a morte, o que na verdade une os personagens é a solidão; e o que os move é a solidão.
O menino não consegue deixar seu irmão ir embora; não sabe lidar com a morte, naturalmente, e ao contrário do que fazia em vida ele toma a rédea. Busca-o onde ele nem sabe onde, de todas as formas em todas seitas e religiões; encontrando inúmeros charlatões dispostos a explicar seu desespero.
Já George deixa de lado tudo isso porque segundo ele, ele não gosta e não sabe lidar com a morte, mas o que ele não sabe lidar é a solidão que a morte alheia, e de certa forma sua própria morte, causam em sua vida.
Ambos personagens precisam se desvincular da morte para seguir com a vida, e encontram essa guinada juntos, os núcleos se encontram no final do filme, e de uma maneira muito piegas, eles aparentemente estão prontos para seguir em frente.
Não esperava muito do filme porque ouvi de amigos que não era digno de Clint Eastwood. Discordo, porque o filme tem sua beleza fotográfica, também pela cena inicial do Tsunami atingir uma leveza tão real; além do diretor "descobrir" dois bons atores, Cécile De France e Frankie McLaren.
O que eu esperava mais é um filme que me toca-se de uma maneira mais fácil, ou mais rápida. Os filmes do Clint são bons por isso, e lembrados por isso, por aquela sensação; sabe aquela sensação? Aquela de "Pontes de Madison"? Aquela do "Menina de Ouro", de "Cartas de Iwo Jima" e de "Invictus"? Sensações vinculadas a um filme de Clint Eastwood, sensações tão reais que o velhinho tão bem sabe trazer em seus filmes.
O que me conforta é que 80 anos é pouco e ainda terão muitos filmes pela frente; ele tentou tratar sobre a morte, o próximo passo será a religião? Afinal como diria Paulo Francis, a idade aproxima qualquer velho de algo para se apegar.