Friday, January 09, 2015

O recente atentado me levou a inúmeros questionamentos - não apenas pela crueldade e pelas mortes, mas também porque o tema liberdade de expressão me é muito caro! Inclusive tema discutido em meu trabalho de conclusão de curso de Direito (trabalho o qual tive o imenso prazer em receber o prêmio de menção honrosa). Estudei sobre a liberdade de expressão, como ela é tratada no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha (pois são países de grande influência acadêmica no direito brasileiro, e que entendem os limites da liberdade de expressão de modos "distintos"), analisei ainda a jurisprudência dos três países. Posteriormente, aprofundei-me no humor, perguntando-me "o que é humor?", "porque rimos?", "qual a estrutura de uma piada?". E, por fim, busquei alguns julgados no Brasil - envolvendo, principalmente, os comediantes que vocês todos conhecem!
Após tanta leitura, muitas horas de vídeos de stand up comedy e muita discussão, pude ver, com imensa clareza, a beleza da piada, o quão superadora é uma boa gargalhada! O quão delicioso é rir e se ver rindo sem parar! E, sem dúvida, existe MUITA piada boa no "mercado" (sim, o humor tem todo um mercado próprio, e bem lucrativo). Entender o poder de uma piada me foi um tiro no estômago, por que eu pensava: "mas é essa piada que eu condeno que está me movimentando para questiona-la". Então, porque raios ter limites? Se a discussão e o escracho da discussão nos movem? (E me moveu). É nesse contexto que, a princípio, tentei encontrar minhas respostas... no contexto de vamos rir, porque rir é bom e saudável! Mas o pulo do gato foi pensar qual risada é saudável para quem? Quem são os comediantes brasileiros? De que classe pertence, qual gênero deles, qual a cor deles? E o mais importante.. as piadas são sobre quem? Ahn, não me diga que você conhece boas piadas de homem, heterosexual e branco? Sem hipocrisia, garanto que para cada piada dessa você tem 3, 4 ou 5 piadas de negros, gays e mulheres! Aposto (e ganho)!. E o que isso tudo tem a ver com o atentado? Vou chegar lá!
Infelizmente, vivemos em uma cultura marcada pela inércia - onde o questionamento e as indagações não são bem vindas. Então, mais uma vez, infelizmente, nós paramos para pensar em momentos de dor, momentos de sangue! E o atentado tem um poder de nos chacoalhar (quantos textos não estamos lendo e compartilhando, quantos #jesuischarlie prá lá e prá cá); mas tristemente, um atentado tem o poder também de nos embaçar a visão! O que vemos? Vemos terroristas assassinos! Mas há quem veja, muçulmano, fundamentalista, adorador de um Deus sei lá quem, que prega o ódio. Sabe esse pensamento que está correndo por ai? É embaçado demais!! Mas é exatamente isso que uma piada "ruim" faz: ela escolhe uma pessoa mais frágil e bate (mais frágil sim, ou vai me dizer que muçulmano na França é maioria, ou tem, em regra, bom emprego, ou não precisa lutar diariamente para ser tratado igualmente e com mesmos direitos?).
Por outro lado, há quem diga, mas o humor questiona, não era você que estava falando sobre a importância de se indagar? Exato! E é ai que está a beleza do humor, ele questiona! Por isso que bater em estereótipo é cretino, porque não tem nada de questionador, é sujo! É reforçar caricaturas, e, infelizmente, foi isso que algumas charges dos cartunistas de Charlie Hebdo fizeram, bateram muito no Islã e nas caricaturas relacionados a ele. Muitos dos desenhos são completamente estereotipados, retratando barbudos com vestes características e armas? Oi? Exatamente isso que você leu: oi?
A piada que faz referência de negro a um macaco é nojenta, é criminosa e gera ódio, e tudo disfarçado de riso! Afinal, é só uma piada! Mas a charge que faz referência de muçulmano com fundamentalismo e armamento é tão suja quanto! E é criminosa sim!! Porque escolhe uma minoria e bate. 
Tiros não são bons, tiros não são bem vindos! O natural da vida é sangue nas veias - pulsando, e não sangue manchando uma redação de um jornal! Mas socos também não são bem-vindos, bem como o preconceito disfarçado de riso não deve ser o natural. Jamais!
Vivemos a época da ditadura do riso, afinal é só uma piada, é só uma caricatura... Inúmeros programas de humor, inúmeras gargalhadas na televisão, vinhetas de risos gravados! Risoterapia! Lembra do "mercado" do riso acima? O riso vem ganhando uma carapaça divina, onde se pode tudo, onde não há limites...
E em meio a tanta manifestação em favor da liberdade de expressão eu só consigo pensar: a violência é cruel, mas a impunidade também o é. A impunidade do riso é ainda mais cruel, porque tem como saco de pancada uma minoria e ainda faz o favor de o reforçar como o sem graça que não sabe rir, que leva tudo a sério, o "politicamente correto", o "chato"!
A impunidade do riso é estridentemente silenciadora: faz um rir, de um lado, e silencia o outro! E é ai que eu te convido ao pulo do gato: qual riso é saudável para quem?

Tuesday, December 04, 2012

Goethe, Aleksandr Sokurov e Bruno Delbonnel, no minímo interessante!

"Fotografia" de Bruno Delbonnel, "Fausto". 

‎"A maneira alemã de se emocionar tem sua própria coloração, sua própria tonalidade. Eu fiquei obcecado em conseguir captar e reproduzir visualmente esse sentimento"

Me diz se não dá vontade de desligar o computador e correr pro cinema?

"Tudo é sinistro e grotesco nessa fábula narrada em tom sépia, com imagens em formato quadrado, numa referência aos primórdios do cinema que remete à cena primitiva das perversões modernas. 
Logo na primeira cena, o dr. Fausto remexe as entranhas de um cadáver à procura do segredo da alma. Em seguida, cai nas garras de um agiota no qual identificamos Mefistófeles e que o faz perambular triunfante por tavernas e termas da aldeia alemã. Ali, encontra Margarida, cuja presença angelical contrasta com o corpo repugnante do usuário de almas." CLAP CLAP! Bravo! 
(Manuel da Costa Pinto). 

Sokurov, me espera! 

Wednesday, November 28, 2012

Inspiré d'une historie vraie.

Era o grito do desespero, recorrer ao Passado (de anos) para questionar como não escrever tão pessoalmente. Ou melhor, escrever sem dar pistas de que as suas pessoas se perdiam e o linha entre elas era tênue. 

Four seasons. I choose Summer. 

Alguns clichês dá vida só não são piegas porque são da vida. E é isso que amarra qualquer mente sedenta de auto-entendimento. É ruim demais falar sobre o que não é seu, se o que já é seu não é mensurável em palavras. 

"Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean"

A suavidade de um verdadeiro relacionamento e o talento de um diretor de cinema foram além da boa performance: toques necessários para o entendimento de  se desvincular e escrever sem qualquer relação pessoal com o tema, pelo menos pra mim, é bem difícil. 

"hablamos en voz baja
para no despertar a nuestros recuerdos
las cosas que hemos hecho, 
y lo continuaremos a hacer
por miedo de romper el círculo, 
qué valientes éramos cuando éramos jóvenes, 
cuando no nos asustábamos de acabar desquiciados." 

Tuesday, November 27, 2012

Dans l'tourbillon de la vie...



[Gustav Klimt, 1913.] 

Na manhã eram dois estranhos escondendo os corpos para que a luz não devolvesse realidade ao brilho que a noite anterior fora capaz de criar. 
Dois corpos incapazes de perceber a falta de intimidade, afinal estavam embriagados pelo desejo.

Seria a falta de espaço da cama que os tinha “desatarracado”? Digo atarracar na acepção animal que flui dela, já que para um aquilo tudo era o falo e a essência do homem falando mais alto, inerentes ao macho-alfa. E para o outro o triângulo é apenas o coadjuvante de um protagonista sem nome.

Sensação estranha de não querer continuar num jogo sem performances merecedoras de ‘bis’; estranha sensação que não condiz com o gosto de uísque de seus lábios, ou fora o gosto de seus lábios que não condizia com os “nãos”.

A noite mal dormida despertara um leão, e a tarde mal entendida enjaulava-o novamente; enquanto tudo não passara de um sonho do tímido, se tornava a concretização do lento.

E o que era pra ser uma noite como outra qualquer entrara no delírio qualquer de uma curta noite. 


Monday, September 24, 2012

M.P criou com todo carinho, vendo a arrogância de sua V. como uma característica inerente dos fortes; tendo na petulância a confiança de um caráter que cresceria fora dos parâmetros conservadores carregados por uma mulher. Atribuindo a sua filha um peso da conquista do gênero naquela época; cega com a necessidade de se fazer por si, e ser a "volta por cima", ou invés de dar essa volta, deposita no seu amor materno qualquer tipo de cegueira, amor esse responsável pela falta de reprimenda, amor incondicional, que não conseguiu condicionar atos à pessoas. V., sedenta em não possuir a genética que possuía, tinha sua mãe como seu maior pecado, aliás, lhe custava muito entender que era ela quem corrompeu o homem, era ela quem oferecera a fruta de maneira graciosa.; assim, antes de qualquer depois, sem explicação ou motivo de assim o ser. V., apaixonada por nada, possuidora de base nenhuma, negava tudo e qualquer princípio advindo de sua mãe. Oh, pobre V., ruiva dos cachos de ouro, pianista de notas vazias; encontrou na voz um modo de ganhar dinheiro, e esqueceu que sua voz não fala porque nada possui. Ela tem uma boa voz, mas só; sabe aquela serpente roxa que você vê e acha linda, mas jamais levaria para casa? Ohhh, V., mais uma apunhalada, mais um não-entender atrás de não-entenderes, e eu só consigo pensar na falta de reprimenda. Seria o homem sedento de limites? Limites esses impostos pelo outro? Ou seria o homem o limite sem limitações? V. era cega demais para ver que seu limite era sua imaturidade, e demasiado capaz para mostrar para si mesma que o berro tem vez, e as pernas são preciosas. A liberdade ganha de bandeja jogava no tipo oposto, porque tudo que ela queria era muito tapa; doce ilusão, bater e punir não teria ajudado muito. M.P levanta sua saia, e mostra suas pernas; levanta sua saia num gesto de liberdade feminina, guerra dos sexos, ou o sexo das guerras? Guerra interna entre a mãe batalhadora, e a devassa por carinhos. Oh, Mild, enxuga esses olhos, e põe pra dormir esse capeta que você chama de filha. O prazer é seu e nunca lhe foi tirado, não deixe que sua Veda limite a sua Vida, como você não pôde fazer com a dela. Cruel inversões de papéis, mito da castração o quê, nunca esteve maior e mais feroz, quem põe na mesa? olha se não é a pequena V. Mal agradecida, estúpida e ruim; recolha-se and Go to Hell. A genética do qual ela nunca respeitou, pulsa no sangue quente de M.P, cadê a petulância que inspirou a outra geração? Morra, V. Bem Longe de mim. V., filha, solteira, ruiva, cantora, soprano, “exaladora” de sexo e comedora de desejos. M.P, mãe, pai, cozinheira, empresária, casada-divorciada-casada-divorciada-casada, mãe, e anuladora de qualquer amor próprio, exala amor incondicional. Oh, pobre V., quisera Deus tivesse arraigado seus problemas na genética, quisera Deus ter te dado aquele par de pernas; mas Deus te deu petulância e um queixo grande, mon amour. E isso sim, dignifica qualquer um, não M.P?

Monday, November 28, 2011

"We should consider every day lost in wich we have not danced at least once"- NIetzche!

"THE RITE OF SPRING - 1975; PINA BAUSCH" - incroyablement incroyable.

http://www.youtube.com/watch?v=BEb4EH35uHE

http://www.youtube.com/watch?v=6vooQH_bMmQ&feature=related
"Workers on Their Way Home, Edvard Munch; Munch Museum, Oslo, Norway."

"Edvard Munch, l'oeil moderne" [EDVARD MUNCH: THE MODERN EYE] - Temporary exhibit at Centre Pompidou, Paris.
Após o primeiro choque, proporcionado pelo Tate Modern, foi a vez do Centre Pompidou protagonizar meu segundo choque com a arte moderna!
"(...) the exhibit invites one to reflect on Munch's Modernity", e que reflexão! <3






http://www.centrepompidou.fr/Pompidou/Manifs.nsf/AllExpositions/B7B16198B955CF3BC1257824003508B8?OpenDocument&sessionM=2.2.1&L=2

Sunday, August 28, 2011